O projeto de As Cidades Indizíveis me fascinou desde que o conheci. Para a coletânea, escrevi um dos meus contos mais catárticos, onde realmente despejei muito do que eu sentia naquele momento. Clio, a protagonista, tem muito dos meus sentimentos dentro de si. Talvez tenha muito mais coragem do que eu jamais tive.
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Tomada por uma subida inspiração, saiu da alameda onde estavam e começou a andar uma pequena viela, com estantes muito próximas, com espaço para apenas uma pessoa. Apertou o passo, ouvindo a sua pequena sombra se esforçar para não perdê-la de vista. De repente, parou na frente de um livro. Colocou a ponta do dedo na pequena depressão redonda que estava debaixo dele na prateleira e esperou. Um barulho surdo e o volume destacou-se dos demais. “Os procedimentos ainda são os mesmos” ela sussurrou, mais para si do que para a guia, que ofegava ao seu lado. Era reconfortante e triste perceber que as coisas mantinham-se iguais.
Resolveu ressuscitar um velho hábito seu. Abriu o volume ao acaso, de olhos fechados correu o dedo por uma das páginas. Olhou e leu, uma língua antiga, de caracteres diferentes: “o exilado alimenta-se de sonhos e esperança”.